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terça-feira, 19 de junho de 2012

Febre Nem Sempre é Infecção


     A febre é o sinal de alerta mais conhecido em saúde. Ao primeiro sinal de febre, o desespero é uma constante. Na criança, preocupação; no adulto jovem, virose; no idoso, risco de vida. Na prática clínica diária, o diagnóstico adequado da causa da febre nem sempre é tão simples.

    As viroses são causas muito frequentes, porém, são apenas algumas das mais de duas centenas de doenças que causam febre. A segurança para apenas observar ou encaminhar o paciente para o CTI (Centro de Terapia Intensiva) advém de muito estudo e vivência do bom médico.

    A grande maioria das febres é inofensiva. Nem toda febre é sinal de infecção. As doenças, muitas vezes, são auto-limitadas, ou seja, curam-se sozinhas, apenas com os mecanismos de defesa do organismo. Antibióticos são absolutamente dispensáveis nesses casos. Lembrem-se que a grande maioria das febres não são tratadas com antibióticos. Defendo e valorizo muito a lei que impede a venda de antibióticos sem receita. O uso indiscriminado de antibióticos gera uma seleção bacteriana perigosa. Bactérias multirresistentes são cada vez mais frequentes.

    Os antibióticos estão sendo utilizados, em grande parte, como ansiolíticos para médicos e pacientes, em casos de qualquer suspeita de infecção. O uso do antibiótico gera uma falsa segurança e um relaxamento na busca da verdadeira causa da febre. Saibam que o antibiótico iniciado inadvertidamente pode aumentar a mortalidade em certos casos.

    Na medicina, temos uma entidade denominada Febre de Origem Obscura (FOI). A FOI é um quadro febril mantido sem diagnóstico após uma propedêutica inicial ampla. A FOI é um dos maiores desafios para os clínicos e a sua definição diagnóstica pode demorar meses. A ansiedade pelo uso de antibióticos é escancarada e, raramente, vemos pacientes sem recebê-los.

   Nossa equipe tem uma vasta experiência nesses casos, com diagnósticos raros e bem atípicos. Na FOI, o que mais nos preocupa na condução dos casos é a insegurança da família e do próprio paciente. Geralmente, são pacientes que passam por inúmeros colegas, e já estão inseguros, medrosos e receosos de um diagnóstico grave. Transparecer segurança, interesse, dedicação e paciência são nossas principais chaves. O diagnóstico tem o seu tempo, ora curto, ora longo. Cabe a nós saber conduzir o caso, para que o paciente sinta-se acolhido nesse momento de incertezas.

     Vale ressaltar que, em alguns casos, a febre precisa ser tratada de maneira agressiva e rápida, como no caso do choque séptico (antiga septicemia – termo já não utilizado mais). O médico precisa estar treinado para diferenciar a gravidade do caso e agir com rapidez, segurança e eficiência.

      Resumindo, lembre-se que, ao falarmos que o seu caso trata-se de uma provável virose, saiba que muito estudo e trabalho estão diretamente envolvidos nessa decisão. Como sempre digo, existem bons e maus profissionais, cabe a você reconhecer e valorizar o seu médico. Assim como em qualquer outra situação em saúde, a febre exige confiança e acessibilidade ao seu médico. Desta forma, as chances de definição diagnóstica são bem maiores.

4 comentários:

  1. achei interessante pois não sabia que febre nem sempre é infecção...
    - ESTOU NESTE CASO COM UMA CRIANÇA FEBRIL A 4 DIAS SEM PASSAR...
    - SEM DOR, SEM INFECÇÃO, SEM OUTRAS QUEIXAS DELA ... SOMENTE FEBRE QUE COM NOVALGINA PASSA MAS LOGO VOLTA...'' E MUITA TOSSE '' SOMENTE.

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  2. É o caso do meu filho de 8 anos. Já sao 4 dias assim. Rotina de brincar, escola, comer, beber e ir ao banheiro normal. Mas por volta das 18, 19 horas começa. A febre sobe rápido e dá dor atras dos olhos. Fez rx, hemograma, dengue e tudo normal. A médica ficou surpreza por ter visto a febre e ele chorando com dor nos olhos. Pediu para eu procurar uma infectopediatra para análise. Amanhã vou atras. Obrigada pelo artigo.

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  3. Eu fico muito insegura sobre estes tipos de febres sem causa ou infecção.As minhas febres são ora de semana ora de meses...Ela vem me deixa de cama por 3 dias,febre de até 42° e depois desaparece totalmente,dali algumas semanas volta de novo.Os profissionais da minha cidade disseram todas as vezes que era virose,mas não tive diarreia e nem vomito...só muito cansaço,dor no corpo,hálito quente,dor muscular,tipo gripe só que é gripe.Será que tenho que procurar um infectologista?

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  4. Tenho valor ao extremo na costa, tem hrs que sobe o calor, dá até calafrios. Mas não estou com frente. Só com dor na costa. O que pode ser esse calor?

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