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terça-feira, 11 de setembro de 2012

Saúde em Meio ao Ambiente


Há seis anos fui convidado para ministrar uma aula no IEF (Instituto Estadual de Florestas) sobre saúde. Montei uma aula tentando colocar os dois temas lado a lado: saúde e meio ambiente. Gostei bastante do resultado e achei bacana compartilhar minhas divagações...

Saúde, segundo a OMS, é “um estado de completo bem estar físico, mental e social, e não meramente a ausência de doença ou enfermidade”. Sendo assim, “a saúde do homem depende diretamente da boa saúde do meio ambiente em que vive”.

Iniciei minha aula fazendo algumas comparações e questionamentos junto a platéia, sem médicos ou profissionais da área de saúde.

O que é a imagem abaixo?


Todos responderam que era uma árvore seca; entretanto, olhando-a cuidadosamente e com um certo conhecimento, percebemos que são as artérias de um rim. Abaixo, coloco uma árvore seca real. A semelhança impressiona.


Coloquei essa outra figura e perguntei do que se tratava...


A resposta "foto de satélite com um rio e seus afluentes" ganhou fácil. Na verdade, trata-se dos vasos sanguíneos da retina de uma pessoa. Abaixo, uma foto de um rio e seus afluentes, tirada de um satélite.


As últimas fotos que coloquei, para escancarar as semelhanças, foram as duas seguintes... Vejam que interessante...



A primeira é a foto da junção do Rio Negro com o Rio Solimões, vista de um satélite, e a segunda é uma arteriografia da aorta com a bifurcação das artérias ilíacas. Alguém ainda duvida que somos parte do meio ambiente?

Até o final do século XIX, o Sistema Econômico era pequeno e bem menor que o Sistema Ecológico. A partir do século XX, surge a economia do consumo desenfreado e o Sistema Econômico toma proporções inimagináveis, ocupando uma área enorme dentro do Sistema Ecológico. O lucro, acima de tudo e de todos, passa a direcionar as ações, promovendo uma desigualdade nunca antes vista. Vejam alguns exemplos...

  •      20% da população do planeta consome 80% de tudo que é produzido;
  •      Os países do 1o mundo consomem 71% da energia produzida no planeta;
  •      1/6 do mundo não tem acesso a água potável;
  •      1/3 do mundo não possui saneamento básico.

Certa vez, Wood Allen disse: “Solucionar problemas econômicos é fácil, basta ter dinheiro”. Equivocou-se. Segue um argumento imbatível...

O que você poderia fazer com 10 bilhões de dólares por ano?

Alternativa 1: Em 10 anos, sanear todo o mundo (isso mesmo, em 10 anos toda a população da Terra teria saneamento básico com este valor!)

Alternativa 2: Gastar o dobro com comida para cães e gatos (nos EUA, gasta-se, atualmente, cerca de 20 bilhões de dólares por ano com alimentos para bichinhos de estimação).

O dinheiro existe, isso é fato. O que falta é foco e vontade de resolver os problemas. Investe-se errado em busca de uma política de saúde eficiente. Veja a tabela abaixo e lembre-se que a política dos EUA é copiada mundo a fora...


Posteriormente, fiz uma analogia entre as catástrofes na natureza (tsunamis, terremotos, furacões e tempestades) com as doenças no homem (hipertensão arterial, diabetes, câncer). 

A Terra, assim como o Corpo Humano, possui um poder de assimilação impressionante. A certeza de um limite é clara, em ambos os exemplos. A Terra e o Corpo Humano cobrarão o preço, mais cedo ou mais tarde. Abolir o tabagismo e a poluição no planeta. Ingerir bebidas alcóolicas moderadamente e evitar as queimadas. Combater a obesidade e o desmatamento criminoso. Reduzir a carga de estresse e monitorar a mineração. Atitudes reais, com benefícios indiscutíveis.

Exemplificando, no ser humano, coloquei fotos de um fígado saudável e de um fígado cirrótico causado pela ingestão indiscriminada de álcool. 



Na natureza, uma foto de mata preservada e de outra destruída pelas mãos do homem.



Vejam o assoreamento de um rio quando há o desmatamento da mata ciliar...


Agora, vejam a fisiopatologia das placas ateromatosas nas artérias do ser humano... Qualquer semelhança...


Resumindo, algumas doenças e catástrofes são inevitáveis; porém, podemos minimizar os impactos para a natureza e para o nosso organismo. A busca doentia pelo lucro prejudica a preservação do meio ambiente, bem como o imediatismo e a busca pelo prazer a todo custo prejudicam a manutenção da saúde.

Finalizando, oito dicas de Ecossaúde (termo bastante utilizado atualmente):
  1. Caminhe mais;
  2. Dê carona;
  3. Economize água;
  4. Economize energia;
  5.  Leia mais, produza mais;
  6. Alimente-se devagar;
  7. Consuma o necessário;
  8. Desacelere.

“Inconsciente de sua força, arrogante e orgulhoso, destruiu a natureza. Dissolvido no consumo, desumanizou-se. Amedrontado, afundou no lodo espesso do trabalho sem fim. Ignorante de seus limites, perdeu-se de si próprio.”

Hélio Mattar

3 comentários:

  1. Paralelos interessantes, Breno. Acho que a busca pelo equilíbrio que você enfoca deve mesmo nortear as escolhas das pessoas, mas o ser humano é inquieto por natureza e, muitas vezes, lesa o próprio organismo na busca incessante por respostas que parecem insatisfatórias quando tudo está "bem". Talvez nosso desafio principal não seja nortear as escolhas dos pacientes, mas sim fazê-lo entender os custos e as renúncias que cada um delas traz. Abração

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  2. Legal, Breno. Lembrei de uma entrevista do Leonardo Boff que fala sobre a relação da cultura ocidental e oriental com o meuo ambiente, bem interessante!

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  3. Grande Brenão excelente analogia e conteúdo. Grande utilidade para todos os interessados na causa. Parabéns. Repliquei para todos os alunos. Vamos juntos.

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