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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Colocando o Dedo na Ferida...

Atendemos mal porque recebemos pouco ou 
recebemos pouco porque estamos atendendo mal?
  A grande maioria dos colegas alega que faz um atendimento rápido e superficial devido a má remuneração. Vivem reclamando mas seguem, passivos, dentro deste ciclo vicioso. O problema primário é realmente a remuneração? Obviamente nem todos os colegas se enquadram neste perfil.
Hoje, avaliaremos o atendimento médico de um outro ponto de vista: o do cliente. Em qualquer prestação de serviço, o consumidor paga pela qualidade percebida. Será que as consultas oferecidas pela maioria dos médicos vale R$ 50,00 (cinqüenta reais)? Você pagaria este valor por uma consulta de 10 minutos com muitos exames e nenhuma atenção? A má remuneração não pode justificar a péssima qualidade do atendimento que estamos prestando aos nossos clientes.

  O que percebo é um notório desconhecimento das noções básicas de marketing cujo principal objetivo é a satisfação do cliente (em outra postagem discutiremos um pouco mais sobre marketing em serviços de saúde). A remuneração tem que ser a conseqüência. 

No mercado, a melhoria da remuneração ocorre pelos seguintes motivos:
        1. Aumento da demanda.
        2. Aumento qualidade percebida pelo consumidor.
        3. Redução da oferta.
        4. Serviço inovador.
Realizei uma extensa busca em livros de gestão,  marketing, auto-ajuda, esoterismo e até de esportes mas não encontrei nenhuma  associação de queda da qualidade com melhoria da remuneração. Acho que nossa classe está tentando construir uma casa começando pelo telhado.

  O ponto crítico desta discussão é o desconhecimento dos valores do serviço médico pelas partes interessadas. O paciente raramente sabe os valores repassados ao médico e a grande maioria dos médicos também desconhece o real valor da sua consulta. A ignorância de médicos e clientes coloca as rédeas nas mãos das fontes pagadoras (extremamente profissionais nesta área). Precisamos conhecer melhor as características do nosso serviço para negociarmos de igual para igual e exigirmos qualquer melhoria.  

   As lutas por melhores salários é muito justa desde que o prestador faça por onde. Quem paga quer resultados, principalmente o cliente final. Paralisações em busca de melhores salários não resolverão o problema nunca. Atitudes consistentes, organizadas e reais são bem mais importantes nesta busca.
  Sugiro que façamos nossas atividades médicas com excelência, tratando nossos clientes com o máximo de atenção e da melhor forma possível. Precisamos trazer os clientes para o nosso lado novamente.
 
  Os passos naturais e lógicos do processo devem ser os seguintes:
        1. Atendimento de qualidade e efetivo.
        2. Reconhecimento do cliente.
        3. Coleta dos resultados.
        4. Reconhecimento da fonte pagadora. 
        5. Cobrança de melhoria da remuneração. 
  Só chegaremos a uma remuneração justa através de atitudes no dia-a-dia e não de divagações sem embasamento e de devaneios coletivos. A mudança deve começar dentro dos nossos consultórios, frente a frente com nosso cliente, prestando um serviço de qualidade. Chega de defender uma postura na retórica e agir de outra forma.
  Já estou até escutando daqui... "Mas se eu parar de atender convênio morro de fome!". Pois bem, como diria o Capitão Nascimento: "Ou você se omite, ou você se corrompe, ou você vai para a guerra!". Procure alternativas honestas de remuneração e pare de reclamar.  Tome alguma atitude, faça algo diferente, vá para a guerra!

11 comentários:

  1. Gostei muito,desta reflexão ,também penso assim, não é digno nem ético,fingir que trabalha receber remuneração vil e reclamar ,temos que fazer por onde.sandra costa pinto cremeb 11955

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  2. Seu raciocínio é falacioso!
    Comparar valores de mercado com tempo e/ou qualidade em consulta é irreal e previsto na legislação médica.
    Você argumenta bem, porém de forma equivocada...

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  3. Discordo completamente! Inversão completa da causa - efeito. As OPS não vão pagar melhor se os pacientes forem atendidos de maneira adequada (a remuneração piorou com a entrada do pensamento empresarial na medicina) pois buscam somente o LUCRO. As consultas tiveram o tempo diminuído pros rendimentos serem compensadas "em volume" devido a colegas que aceitam honorários alvitantes por consulta e, infelizmente esse ciclo continua pois os recém formados (muitas vezes com formação inadequada, devido ao circo que é a formação médica no Brasil - outra coisa que as entidades estão tentando melhorar) caem nessa armadilha com medo de não ter pacientes. Em relação ao SUS, não é de hoje o desinteresse total do governo por uma medicina de qualidade (desvio de dinheiro é prioridade)... Em um país decente, como França, Inglaterra, Canadá nossa classe já teria causado o caos há mais de década. Nossas entidades não podem parar de lutar. Obs: Não trabalho por salário alvitante...

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  4. é isso aí, e tem mais, quem disse na frança, inglaterra e principalmente no canadá a saúde é melhor que aqui? vai adoecer nesses países sem dinheiro....

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  5. Na Inglaterra o sistema de saúde é universal, significa que todo mundo acessa o mesmo sistema de saúde, independente de ter dinheiro ou não. Os prazos são iguais para todos.
    A França está em transição para um verdadeiro sistema nacional de saúde.
    Já o Canadá tem 3 subsistemas (nós temos dois): médicos particulares, unidades de medicina de família sob subsídios, e centros locais comunitários de saúde (públicos, onde os americanos pobres atravessam a fronteira para serem atendidos).
    Se quiserem saber um pouco mais: https://sites.google.com/site/leosavassi/home/aulas-disponiveis-para-download ver aula "Atenção Primária, contexto histórico e evolução mundial" a partir do slide 26.

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  6. Eu penso que o que o Prof. Breno quer dizer é: "meu amigo, se o plano de saúde te paga mal e não te deixa atender com qualidade, descredencie!"

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  7. Discussão extremamente complexa pois o paciente não paga o serviço diretamente o que deturpa a relação. Tenho absoluta certeza que se o pagamento ocorresse sem intermediários, muitos pacientes iriam em busca do profissional que se faz respeitar e respeita as necessidades dos pacientes. Acho que nossa luta deveria focar a possível resolução do CFM que acaba com o pagamento de consultas por intermediários. Eu acitaria receber R$50,00 direto do paciente, pois tenho certza que conseguiria ampliar muito minha clientela. Abs, Schiavon

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  8. Mark, eu disse que o profissional médico na França, Inglaterra e Canadá nunca aceitaria as nossas condições de trabalho. Além do mais, o sistema de saúde pública deles é muito melhor que o nosso na prática (o SUS é lindo na teoria).

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  9. Leonardo, se ele quer dizer o que você postou concordo com a filosofia de pensamento(sou solteiro, minha fonte de renda depende muito pouco de convênio). Mas temos um problema técnico: tem gente que precisa de dinheiro pra se manter e acaba se submentendo ao honorário alvitante compensando com o "volume". Temos que ter uma união da classe pra resolvermos o problema de honorário (com as OPS e o SUS) e assim exigir medicina de qualidade. Talvez a idéia de receber consulta direto dos pacientes sem intermediários ajude a diminuir o problema, mas tem que estipular um valor mínimo pra consulta pra evitar que colegas espírito de porco atendam 10 pacientes numa hora por 20 reais a consulta.

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  10. Breno,
    teoricamente, baseando em questoes de marketing e gestao, estaria correto seu pensamento de que melhor atendimento resulta em maior satisfaçao do cliente e consequentemente maior satisfaçao do cliente em pagar mais pelo "serviço" recebido. (Se bem que nao considero a medicina uma prestaçao de serviço). Mas o porem da historia toda é que nesta relaçao de consumo entre medico e usuario do plano de saude, existe o intermediario - plano de saude - que nao importará se o atendimento foi melhor ou pior e pagará da mesma forma. Tanto é que ja ocorre assim. Consideramos nossas consultas muito melhores que de nossos colegas de mesma especialidade, mas somos igualmente mal remunerados, e isso nao tem perspectivas de mudanças. Infelizmente estamos nos tornando os proletarios do sistema de saude, e como em todas as lutas de classes, avanços so ocorreram e ocorrerao com greves, paralisaçoes e "lutas" de todas as formas, em uma sociedade capitalista.
    A teoria é uma, mas a pratica é bem diversa.
    Parabens pela iniciativa e por fomentar a discusao. Abraço Mario Marino Zuzu

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  11. Estamos nas mãos do Estado, com tudo que ele tem de bom ou ruim, ou somos fustigados pelos contratos das operadoras de "planos de saúde". Serviços médicos sem intermediação (desembolso direto,"particular") é raro, muito raro.
    Serviço público competente? Só vi na rede Sarah (acreditem, é SUS!). Serviço hospitalar privado competente? Conheço dois no Brasil através da mídia: Albert Einstein e Sírio Libanês.
    (Jurgem Moreira Bhering - CRMMG 20878).

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