Quem sou eu

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Filhos: Como Criar?

A idade chega
A vida muda
Os filhos chegam
Tudo fica mais difícil e belo

As costas doem ao deitar
Que bom! Era só um bico da minha filha
A cumplicidade do casal aumenta
Dominar o medo é o grande desafio

Um sorriso salva o dia cheio
Um choro rasga o sono
Uma fralda suja, um arroto, nenhum nojo
Tudo muda, todo dia, o tempo todo

Filho é responsabilidade pura e boa
Educar bem, obrigação
Babá ajuda, não cria
Presença e exemplo são essenciais

Fórmula não há
Teoria se dissolve na prática
Uma escolha: educação
Poder escolher é melhor que não ter opção



sexta-feira, 28 de março de 2014

Dias Melhores...

Dia 19 de novembro de 2013, o ano do Galo, vivi uma das experiências mais bacanas e emocionantes da minha vida: virei papai! Maria Luisa veio ao mundo de parto normal e chegou saudável e linda como a mamãe (graças a Deus). A postagem de hoje tinha tudo para ser sobre essa experiência mágica que muda radicalmente nossas vidas, mas, ao invés disso, vou discutir sobre a medicina atual e os seus caminhos preocupantes.

Ela havia optado pelo parto normal e, felizmente, optou pelo médico certo. Todo o pré natal foi realizado com ele. Todas as dúvidas foram esclarecidas por ele. Toda a insegurança foi se dissolvendo com ele. Todo o processo de trabalho de parto foi conduzido por ele (e não foram poucas horas não – do período de latência até o nascimento foram 27 horas!). Todo o acompanhamento pós-parto foi feito por ele. Em tempos de uma medicina mercantilizada e nivelada pela baixíssima qualidade, ainda existem médicos verdadeiros. O verdadeiro "Dono" do paciente ainda existe. Dr. Henrique faz parte dessa espécie em extinção.

No início do trabalho de parto, ela estava uma "pilha de nervos". Dor, insegurança, incerteza e medo estavam no limite. Marinheiros de primeira viagem, somos absolutamente leigos na arte de domar nossos sentimentos. Eis que surgiu o "domador". A chegada do Dr. Henrique foi uma dose cavalar de tranquilizante para ela e para mim. Ele estava lá e assim ficou até o final. Transbordando confiança, simpatia, disponibilidade, respeito e profissionalismo, o trabalho de parto tornou-se um momento prazeroso.

Desde o início, a opção sempre foi pelo parto mais seguro, independente da via. Óbvio que a indicação precisa definiria a via do parto. Atualmente, isso definitivamente não corresponde a nossa realidade. Correndo tudo bem, com técnica e, principalmente, tempo, a indicação de cesariana é exceção; porém, tornou-se a regra no nosso meio.

O mercado de saúde vem caminhando para o lado errado. Infelizmente, enquadrou a medicina no paradigma capitalista: "tempo é dinheiro". Em saúde, isso é um perigo. Remunerar por produção, sem valorizar a qualidade, nivela nossa profissão por baixo. Todos sabem que medicina não combina com pressa.

Saúde não dá dinheiro. Uma boa consulta clínica e a prevenção não remuneram bem nem o profissional e nem a instituição. As vias de parto são os exemplos clássicos da mercantilização sobrepondo-se as evidências (leia mais na postagem "Vias de Parto"). As melhores práticas não são iguais a lucro tangível. Nada mais saudável do que a gravidez; assim, a gestação é desvalorizada pelo "mercado burro" da saúde. Esse é o motivo do fechamento de inúmeras maternidades. No balanço da saúde, remuneram-se procedimentos e exames altamente tecnológicos. A atenção passou a ser preterida. A medicina despersonalizada, de volume e fraca tecnicamente, tomou conta. Perdemos nossos clientes, nossos fiéis escudeiros em épocas não tão distantes. Hoje estamos sós, fracos e, literalmente, esculachados pelo governo e operadoras.

Outro aspecto intrigante e inexplicável é o fato de um médico com vários anos de experiência e um recém formado serem iguais frente as fontes pagadoras. A remuneração é a mesma. O médico mais experiente se desgasta por não ter sua evolução profissional reconhecida. Uma pequena parte abandona os convênios, mas a maioria acaba entrando no jogo. A baixa qualidade tornou-se uma constante. Não precisamos evocar os cubanos (apesar de ser, terminantemente, contra este programa), nossa medicina também está fraca. Felizmente, temos as gratas exceções que precisam ser valorizadas, nem que seja com um humilde texto de agradecimento.

Após a dilatação adequada do colo do útero, foi realizada a anestesia. A partir daí, tudo correu com extrema tranquilidade. Sentado na cadeira ao lado da cama, vi a cena que não me furtei a documentar e compartilho com vocês abaixo: o trabalho de parto da minha esposa. O Dr. Henrique fazendo a dinâmica uterina com a Camila, anestesiada, em pé e conversando com as amigas via celular. Este é o trabalho de parto na era da tecnologia, porém, sem perder o poder do toque e do afeto do médico.


Malu nasceu as 22:17. Além do sentimento inigualável da paternidade, senti orgulho da minha profissão e esperança em dias melhores. A medicina exercida da forma mais pura, com atenção incondicional, tempo e temperada adequadamente pela tecnologia jamais vai perder o seu espaço. Muito obrigado Dr. Henrique! Você realmente fez a maior diferença e estará sempre nas nossas melhores lembranças.


sexta-feira, 31 de maio de 2013

Acreditação e Copa do Mundo


Ao assistir os preparativos para a Copa do Mundo de 2014 e participar ativamente do processo de acreditação hospitalar, me deparei com semelhanças, no mínimo, pitorescas. Os “arranjos” para transparecer uma realidade ainda longínqua são idênticos.

A aproximação do evento (Copa ou auditoria) mobiliza todo mundo. Novas obras, novos projetos, novos indicadores, novos protocolos e a velha ilusão da qualidade “de papel”. Números que não conseguem expressar a real qualidade percebida pelo cliente. Indicadores que não indicam nada, vazios e inúteis até para quem os colhe. Unicamente, “para inglês ver”.

A acreditação e a Copa do Mundo são consequências naturais de uma gestão bem realizada ao longo do tempo. Elas não podem e nem devem ser tratadas como objetivos. A acreditação é uma ferramenta de aprimoramento da gestão nas instituições hospitalares. A Copa do Mundo é um evento de turismo e captação de negócios.

Julho de 2014 será como uma semana de auditoria nos hospitais. Nas ruas, policiamento adequado, limpeza impecável, ausência de mendigos e pedintes, trânsito organizado e uma cidade como deveria ser. Uma pena a Copa durar apenas um mês.

Nos hospitais, inúmeros enfermeiros, corredores limpos e pintados, quartos impecáveis, pronto-socorro vazio, indicadores na ponta da língua, funcionários solícitos e tudo como manda o figurino. Uma pena a auditoria durar apenas uma semana.

Óbvio que é inegável a evolução e as melhorias desenvolvidas pelo processo de acreditação e pela Copa do Mundo, mas elas deviam ser permanentes e não com data e hora para terminar.

O problema da Copa, assim como nos hospitais, é que a mentalidade está equivocada. Expandir aeroportos, melhorar o transporte público, otimizar a segurança para a população são deveres independentes de grandes eventos. Deveriam ser planejados e executados com menos burocracia e sem corrupção.

Nos hospitais, a atenção aos clientes, a qualidade do serviço e a segurança são requisitos básicos do dia a dia. Os selos de qualidade precisam ser transformados em práticas diárias e cotidianas. A qualidade precisa ser tatuada na alma da instituição. As melhorias precisam ser encaradas como estratégias de negócio e não como meras necessidades de um processo de acreditação.

A função do gestor é promover esta tatuagem de qualidade na sua equipe. Respirar qualidade e inovação como combustíveis para o crescimento. Acreditações e Copas são consequências, jamais objetivos.