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sexta-feira, 4 de abril de 2014

Filhos: Como Criar?

A idade chega
A vida muda
Os filhos chegam
Tudo fica mais difícil e belo

As costas doem ao deitar
Que bom! Era só um bico da minha filha
A cumplicidade do casal aumenta
Dominar o medo é o grande desafio

Um sorriso salva o dia cheio
Um choro rasga o sono
Uma fralda suja, um arroto, nenhum nojo
Tudo muda, todo dia, o tempo todo

Filho é responsabilidade pura e boa
Educar bem, obrigação
Babá ajuda, não cria
Presença e exemplo são essenciais

Fórmula não há
Teoria se dissolve na prática
Uma escolha: educação
Poder escolher é melhor que não ter opção



terça-feira, 27 de novembro de 2012

Alegria Etílica


Há 11 anos corro a Volta Internacional da Pampulha e, normalmente, fico sem ingerir bebidas alcoólicas alguns dias antes da prova. Tornou-se uma regra para mim. Sinto-me melhor e evito algumas complicações durante o percurso. O período de abstinência gira em torno de 3 a 4 semanas apenas, mas tem um efeito muito benéfico para o corpo e, principalmente, para a mente. Como a prova é em dezembro, mês das comemorações, participo de várias festas, sem bebida alcoólica. Nessas oportunidades, percebo o quão difícil é parar de beber, mesmo socialmente.

O alcoolismo é uma das dependências mais frequentes em nosso meio e uma das mais banalizadas. O álcool é uma droga liberada e socialmente aceita. Ingerir bebidas alcoólicas é uma prática normal desde a adolescência, para a grande maioria das pessoas. Associa-se o álcool a alegria, descontração e entretenimento. As campanhas nunca sugerem a abstinência, e sim, a moderação. Nas festas, a diversão torna-se impossível sem o álcool para a maioria das pessoas.

Todo ano vivo na pele a pressão dos amigos para beber nas comemorações durante meu período abstêmio. Parece que é um pecado, uma falta de consideração, você optar apenas pela água ou suco. Ainda mais para alguém que gosta de uma cerveja e até fabrica a sua. “Deixa de ser fresco! A corrida é só daqui a 2 semanas! Você está querendo ganhar a corrida? Bebe só um pouquinho...” Ver um amigo sem beber ofende muita gente. Apenas doença e antibiótico garantem o sossego do pobre abstêmio.

Conheço algumas pessoas que não bebem, se divertem mais e “enfrentam” a sociedade que passou a enxergar a alegria apenas após algumas doses. Seria muito mais saudável se conseguíssemos desvincular alegria de bebida alcóolica. Tristes daqueles que só conseguem se divertir a base de etanol.

Caso não tenha feito o teste, experimente ir a um evento e não beber. A experiência é muito válida e escancara a dependência, por mais leve que seja. Lembrem-se que só funciona se for em uma festa bem bacana, na qual você certamente beberia. No início, você fica sem lugar para colocar a mão que já está acostumada a segurar um copo. Prepare-se para beber litros de água e ir ao banheiro mais vezes que se estivesse ingerindo bebidas alcóolicas. A festa fica sem graça sem beber? Os assuntos daquele colega beberrão são intoleráveis? O seu desconforto é evidente e vários amigos perguntam se está tudo bem? Pois bem, você já é um dependente do álcool para se divertir.

Faço a abstinência para a corrida e para me lembrar o quanto o álcool é perigoso. Sem beber, a partir da segunda festa, você começa a se soltar mais. Da terceira em diante, a diversão é bem semelhante a das festas regadas a etanol. É possível se divertir sem álcool e o dia seguinte é muito melhor também! Festa sem álcool não é festa? Cuidado!

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Antidepressivos Naturais

A banalização de diagnósticos e tratamentos para depressão é realidade no sistema de saúde. Acreditar em comprimidos como solução de vários problemas é mais fácil e passou a ser normal. Gostaria de deixar muito claro que não sou contra os antidepressivos e ansiolíticos, os prescrevo até com certa regularidade já que são indispensáveis nos casos depressivos graves. Os antidepressivos "naturais", além de prescrever, os utilizo regularmente. Nessa postagem vou comentar sobre três tipos distintos, pouco estudados cientificamente, mas comprovadamente eficazes na prevenção e combate da depressão e da ansiedade: correr, jogar bola e “botecar” com os amigos.

Assim como qualquer medicação, possuem efeitos colaterais e o excesso pode até prejudicar o paciente. Em geral, são muito bem tolerados, inclusive por idosos. Cada qual possui o seu efeito de ação muito bem definido.

A corrida é um antidepressivo antigo, barato e eficaz. Correr é uma atividade mais solitária. Durante as corridas tenho meus melhores “insights”, escuto meus sambas, converso comigo. O momento é meu. Ao final, a descarga de endorfina e a sensação de bem estar são incomparáveis. Um dos efeitos colaterais são as dores nos joelhos; por isso, é importante sempre praticar com tênis adequado e novo.

O futebol é viciante. Jogar futebol é diferente de assistir futebol. Apenas o primeiro é considerado um antidepressivo e, talvez, um dos mais potentes já inventados. Os homens fazem uso com muito mais regularidade. A entrada na quadra, no gramado sintético ou no natural consegue inibir todos os sintomas da depressão. Xingar, brigar, discutir efusivamente e, ao final, abraçar o colega de pelada é algo que só uma partida de futebol consegue promover. Comemorar uma jogada ou um gol são momentos indescritíveis e com efeitos muito superiores a qualquer medicação. A criação de novas boas amizades é uma das principais vantagens desse antidepressivo.

“Botecar” com os amigos é um antidepressivo muito eficaz e, talvez, perigoso. Funciona muito bem, mas pode criar uma dependência muito fácil e inibir a utilização dos demais. O limiar entre “fazer bem” e “fazer mal” é muito tênue. Uma sugestão é utilizar o futebol primeiro e, depois, o “botecar”, a famosa resenha. Sem dúvida, uma terapia bem eficaz. Assim, um potencializa o efeito do outro. A bebida alcoólica, consumida moderadamente, lubrifica os relacionamentos, alegra a vida.

Todos esses antidepressivos possuem similares e genéricos, basta você encontrar o seu preferido. Lembrem-se que utilizá-los, desde cedo, melhoram, e muito, sua tolerância. Pais sedentários, filhos sedentários, exemplo vem de berço também. Qualquer pessoa pode prescrevê-los, mas uma avaliação médica formal antes de iniciar o uso pode ser indispensável. 



Esta postagem é uma homenagem ao grande plantel do CMD Master! 
Grandes colegas, grandes amigos da famosa resenha de quinta! 



terça-feira, 13 de março de 2012

Receita de Saúde


Ser saudável é ser feliz
Por a mão no pé sem dobrar o joelho
Fazer um esporte
Subir uma escada rápido e não bufar
Comer de tudo com educação
Subir na balança sem medo e sem susto
Rir dos insucessos
Aprender com os erros
Dormir tranquilo e acordar descansado
Ir ao banheiro diariamente
Ter um bom médico
Valorizar a prevenção
Trabalhar intensamente mas com hora para terminar
Saber gastar seu dinheiro
Brincar com seus filhos
Olhar para sua esposa todos os dias e ter orgulho
Valorizar a família
Ler um livro até o fim
Ter amigos para sair
Ter amigo de verdade
Criar casos para contar
Não fumar
Beber pouco e bem
Ir de táxi depois
Envelhecer dando exemplo
Fazer aquilo que se prega
Dar bom dia
Falar sorrindo
Cultivar o bom humor
Encarar a morte naturalmente
Viver intensamente

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Coitado do Estresse!

              Coitado do estresse! Tudo é culpa dele. Estou acima do peso? É o estresse. Estou sem paciência? Culpa do estresse. Estou com o intestino preso ou solto? Ando muito estressado. Estou brigando em casa? Maldito estresse. Estou sem criatividade no trabalho? É o estresse. Sempre lembrado no dia-a-dia tornou-se um vilão da sociedade moderna. Coitado dele...

         Viver sem estresse seria muito chato! Ele é vital para desenvolvermos coisas novas, mudar coisas antigas, agitar águas muito paradas e para descobrirmos nosso real objetivo de vida, nosso caminho.

            Sem o estresse seria impossível viver. O estresse remete ao instinto de sobrevivência. Ele sempre vai estar lá. Cada pessoa tem o estresse que merece e na sua devida proporção. Uma viagem de avião para mim é uma alegria, mas, para o outro, pode ser um tormento e assim vai...

            O estresse é irmão da ansiedade, primo do medo e inimigo mortal da rotina. Viver sem estresse também causa estresse. O incerto e o desconhecido somados a uma pitada de desorganização geram o ambiente perfeito para ele. Definitivamente, não se dá bem com o bom-humor.

            Gostaria de agradecer formalmente ao estresse. A cada dia aprendo a viver melhor com ele. Às vezes, chego a rir dele. Vez por outra, me encurrala, mas sei que, ao final, estarei sempre aprendendo. O mundo sem estresse não teria emoção alguma. Estressar com tudo pode significar doença, não estressar com nada, só após a morte. O estresse não pode te frear. Nestes casos, você certamente está precisando de ajuda.

            A luta não é para acabar com o estresse e sim, aprender a domá-lo. Fazendo uma analogia simples, assemelha-se a um pitbull. Pode te matar, mas, se bem domesticado, torna-se um grande aliado. Sugiro que paremos de colocar a culpa somente no pobre coitado do estresse. Ele é inevitável e sempre vai existir, assim como a chuva. Precisamos é nos preparar para ele e utilizá-lo a nosso favor.

          Cansei de atender pacientes insatisfeitos com suas vidas, em casa ou no trabalho. O diagnóstico? Falta de estresse. A acomodação na zona de conforto é o antídoto para o estresse, mas um veneno para o prazer de viver. Toda acomodação, no longo prazo, tende ao fracasso. Como diz o ditado, “a diferença do remédio para o veneno é a dose”, ou seja, na medida certa, e bem indicado, o estresse sempre será benéfico.

            Desejo a todos uma pitada de estresse em todas as atividades da vida! Entenda-o e aprenda a utilizá-lo como tempero. Encare o estresse de frente! Descubra sua origem, domine-o e utilize-o ao seu favor. Não tenha medo de mudanças. Saia da sua zona de conforto! Estresse-se! A vida foi feita para ser vivida! Como dizia o nosso grande escritor e colega, João Guimarães Rosa: “O correr da vida embrulha tudo.
 A vida é assim: esquenta e esfria, 
aperta e daí afrouxa,
 sossega e depois desinquieta.
 O que ela quer da gente é coragem.”