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domingo, 13 de junho de 2021

Âncora ou Impulsor? O Poder do seu Parceiro(a) na sua Carreira

 Instagram: @prof.breno


A escolha do seu parceiro(a) de vida é um fator preponderante para a sua alta performance profissional. O seu parceiro(a) pode te ancorar ou te impulsionar. A boa notícia é que uma relação baseada no diálogo, no respeito e, principalmente, no amor, pode transformar uma âncora em um impulsor.



"Se for para ganhar isso, eu te pago para você ficar em casa..."

    

        Um relacionamento saudável gera sonhos comuns, mas permite e apoia os sonhos individuais. Ninguém deve "podar" ou menosprezar os sonhos individuais de ninguém. Abrir mão de sonhos pode custar caro, com arrependimento, rancor e raiva no futuro. O argumento financeiro é importante, mas não pode e não deve suprimir sonhos; no máximo, adiá-los. Colocar prazos e permiti-los é fundamental. Apoie as escolhas do parceiro(a), mesmo ciente dos riscos. Existem escolhas que certamente não darão certo, mas servem de aprendizado. Permitir estas escolhas é crescer junto! Ah, e nada de "eu avisei!"... se não deu certo, segue o jogo! Simples assim!


        "Lugar de mulher é em casa!"


        O homem como único provedor da casa já é coisa do passado. As mulheres estão assumindo, cada vez mais, um papel de destaque no mercado de trabalho. Atualmente, o mercado da medicina já está em processo de transformação. Desde 2009, o número de médicas formadas anualmente é superior ao de médicos. Em poucos anos, teremos mais médicas que médicos no Brasil. A adaptação a esta nova realidade é imprescindível e urgente. A maternidade tem sido uma âncora profissional para inúmeras mulheres desde os tempos mais remotos. Atualmente, iniciativas muito bacanas (como o "Maternidade nas Empresas" - @maternidadenasempresas) vêm ajudando a quebrar estes paradigmas. As virtudes desenvolvidas pelas mulheres ao longo da maternidade são extremamente úteis e necessárias no mercado de trabalho. A maternidade exige uma valorização proporcional à grande transformação do trabalho médico (e dos outros também) que ela proporcionará. 


"Mas você não faz nada! Tem babá, empregada… se quiser, pode ir trabalhar que eu fico em casa… Pare de reclamar de barriga cheia!"


A pandemia escancarou a dificuldade dos ditos trabalhos domésticos e, principalmente, da dificuldade de cuidar das crianças e da casa. É um trabalho real sim, mais exaustivo que a grande maioria dos trabalhos ditos tradicionais. O parceiro(a) que se dispõe a ficar em casa merece muito respeito e descanso também. Conciliar a vida pessoal e profissional, sem prejudicar nenhuma das duas, exige parceria e cumplicidade. Coloque disposição e atitude de ajudar seu parceiro(a) com a "mão na massa"... Você tomará um banho de empatia e, principalmente, de compaixão para o dia-a-dia.

        "Eu ganho e ele(a) gasta!"


Parceiro(a) gastador pode boicotar o planejamento financeiro do casal, mantendo o ciclo vicioso do "ganhar para pagar as contas", sem investimentos ou visão de longo prazo. Conversem sobre dinheiro abertamente. Estipulem os gastos individuais com futilidades, por exemplo, dentro do planejamento do casal. Sempre discutam os grandes gastos. A consciência financeira só vem com conhecimento real da situação e dos planos futuros.



Resumindo…


* Alinhe os sonhos comuns; 

* Permita e ajude a realizar os sonhos individuais. Não encher o saco já é o começo; 

* Converse sobre dinheiro abertamente;

* Nunca menospreze o trabalho doméstico;

* Ajude com as crianças, sempre;

* Permita um tempo de descanso para o seu parceiro(a). Livre de crianças ou de serviços domésticos. No mínimo, semanalmente;

        * Lembre-se sempre… "Happy Wife, Happy Life!" - sua vida só será plena se a pessoa que você ama estiver bem também! Ajude e permita-se ser ajudado.

segunda-feira, 3 de maio de 2021

Não Justifique suas Dificuldades com a Facilidade dos Outros

 No Instagram: @prof.breno


    Se eu tivesse pai médico igual ele, as coisas seriam diferentes... 

    Chegou onde chegou porque a família é rica…

    É magro porque pode fazer exercício todos os dias…

    Almoça em casa porque já tá com o burro na sombra…

    Ele fala assim porque só atende particular, quero ver atender SUS…


    Pois bem… todos nós temos nossas vidas, nossos problemas, nossos dilemas e dificuldades. Todos, sem exceção. O que é um drama para mim pode ser uma banalidade para o outro e vice-versa. Não julgue, você não viveu o que o outro viveu. Existem tantas variáveis pelo caminho que o desfecho final torna-se impossível de se prever.


    O grande segredo é se preocupar com sua vida, sem usar a vida dos outros como baliza. Viva sua vida de acordo com o que acontece com você. Evite comparações. Compare-se apenas com você mesmo. Encare sua realidade de frente, sem justificá-las com a facilidade das outras pessoas. A sua vida é assim? Paciência! O problema é seu, de mais ninguém! Que tal parar de sofrer e passar a agir? O que você está fazendo para melhorá-la? Não precisa ser uma mudança radical, mas pequenas mudanças com tempo e consistência podem trazer repercussões enormes no futuro. Lembre-se, o futuro começa com suas atitudes hoje.


    Não coloque metas. Elas te limitam. Defina o jeito como você vai trilhar o caminho, garanto que é bem mais proveitoso e eficiente. Vá sem pressa, mas não pare. A pressa em atingir um objetivo final te impedirá de enxergar as milhares de "chegadas" ao longo do percurso. 


    A escolha de como você irá construir sua carreira é somente sua… 


    Você pode ir reclamando ou aprendendo e aprimorando.

    Você pode ir sendo gentil ou grosso.

    Você pode ir ajudando os outros ou desprezando.

    Você pode ir se cuidando ou se desleixando.

    Você pode ir aproveitando ou fissurado apenas na chegada.

    Você pode ir se comparando com os outros ou fazendo o seu melhor.


    Finalizando, te pergunto novamente, o que você fez hoje para melhorar o seu amanhã?








sexta-feira, 19 de março de 2021

Jan por Breno*

Instagram: @prof.breno
*publicado com anuência da família

    Sexta feira, 14 de fevereiro de 2020, recebi em meu consultório um senhor de 80 anos, grisalho, alto, holandês, radicado no Brasil há 50 anos. Seminarista, veio ao Brasil para fundar o Colégio Padre Eustáquio, mas foi "fisgado" por Ana. Abandonou a ideia do celibato e entregou-se de corpo e alma, literalmente, ao amor. Casou e teve três filhas. A conversa expôs um senhor extremamente dedicado à família, querido por todos à sua volta. Na consulta, estavam ele, Ana, Márcia (uma de suas filhas e a única em BH) e Flávio (seu genro, casado com Fernanda e morando em SP), todos extremamente preocupados com ele.
    
    Jan não reclamava e aceitava todas as condutas, não passivamente, mas confiante em nós, médicos. Escutava e seguia o que Ana e as filhas lhe pediam, não por submissão, mas por amor. Há 1 ano e alguns meses, vinha fazendo um tratamento para uma doença hereditária grave. Imunossupressores, perda de peso e, principalmente, de qualidade de vida.

    No meio da consulta, ele me disse que já estava desanimado e entregando os pontos. Ana e Márcia começaram a chorar. Não estava vendo sentido na vida daquela maneira. Lembrei da sua procedência e, com um otimismo realista que faço questão de ter com todos os meus pacientes, disse a ele: “De jeito nenhum, ainda tenho que tomar umas Heinekens com o Sr.!” - para quem não entendeu, a Heineken é holandesa também! 

    Naquele momento, o homem triste e cabisbaixo me olhou nos olhos, virou-se, olhou para a Ana (ela estava em uma cadeira atrás dele) e me perguntou: “Eu posso tomar uma Heineken?”. “Claro! Ainda mais se for com o seu médico!” - respondi. “Tem 1 ano e 36 dias que não tomo uma Heineken”. Na verdade, Jan sempre foi cervejeiro e, quando viajava para a Holanda para encontrar os irmãos, caprichava “de com força”. Frequentemente, tomava duas long-necks da cerveja da garrafa verde, mas, após o início do tratamento pesado, havia sido aconselhado a parar. 

    Gostaria de lembrar que não critico, nem julgo, a conduta dos colegas, mas naquele momento e naquela situação, a cerveja, ainda mais que em doses mínimas, seria o menor dos problemas. Ah! E não suspendi as medicações do tratamento. Ao final da consulta, combinei com ele de tomar uma Heineken no buteco “dele”. Assim fizemos e ali nascia uma relação bem maior do que a de médico e paciente.

Sexta de Carnaval 2020

    Em cada encontro, um aprendizado sobre família. Todos os anos, ele pedia o mesmo presente de aniversário: fotos atualizadas dos netos para colocar em frente à sua mesa de trabalho. Apenas isso ou melhor, tudo isso! A cumplicidade dele com Ana e suas meninas (Márcia, Ana Carolina e Fernanda) dava gosto de ver. Seus olhos brilhavam ao olhar para qualquer uma das suas 4 mulheres!

    O ano de 2020 foi complicado pela pandemia, mas conseguimos, com muito esforço, manter o mínimo de qualidade de vida para ele. Apesar das dores, foi à praia, curtiu a família e tomou suas Heinekens. Em agosto, fiz uma receita para ele que foi emoldurada! Virou o seu xodó!

Minha Receita Emoldurada!

Na Sala, ao lado das fotos dos netos!


    Pouco menos de um ano após a primeira consulta, fui visitá-lo em casa, dia 08 de fevereiro de 2021. Jan estava bem, seria apenas uma consulta de controle e para pôr a prosa em dia. Após muitas risadas, como sempre, me perguntou se era possível ficar em casa, caso piorasse. Ele não queria ir para o hospital. A doença era muito grave e, realmente, sem muita perspectiva de melhora. Combinamos de tentar mantê-lo em casa. O mais interessante desta visita é que ele estava bem e super tranquilo, mas, certamente, já percebendo algo diferente.
  
    Exatos 3 dias depois, na quinta-feira, dia 11 de fevereiro, começou a apresentar uma piora importante do quadro. Assim como havíamos combinado, fizemos de tudo para mantê-lo em casa e conseguimos. Dia 25 de fevereiro, já mais debilitado, ainda recebi uma foto tradicional dele com sua Heineken! No dia primeiro de março de 2021, ele partiu, de forma serena, linda e do jeito que ele pediu, perto das suas 4 mulheres, na sua cama.

    Após 20 anos de formado em Medicina, entendo perfeitamente o que meus melhores professores, incluindo o principal deles (meu pai) sempre fizeram: tornavam-se amigos dos seus pacientes. Uma consulta se torna uma boa conversa, uma fábrica de aprendizado. O tratamento torna-se único para aquele paciente. Na minha última visita, ele me perguntou: “Dentre todos os remédios que venho tomando ultimamente (e não eram poucos), qual você acha que é o mais eficiente?”. E aí? Vocês têm alguma dúvida da resposta? Uma dica: o remédio vem em frasco verde!



Em tempo, um agradecimento especial ao Auler, Gisela e Zanini que me ajudaram, de forma brilhante, a conduzir o caso do meu amigo Jan.


Instagram: @prof.breno